9.2.07
5.2.07
4.2.07
passeio pelo mangue
Depois da travessia de canoa, paramos para tomar algo. Procuramos uma pousada e às 14h30min estávamos procurando lugar para almoçar (o prato individual na pousada era R$ 20,00). Encontramos, através de indicações, Dona Moça, uma senhora que servia refeições. Naquele horário já havia terminado o expediente dela e saímos desesperados à caça de um prato de comido. Arlindo e Zé chegaram a pedir um prato de arroz e feijão a um menino que passava pela rua. Segui com Diego para o restaurante/pousada da "Mãe Santa", finalmente encontramos uma refeição. Comemos peixe frito (cavala), com arroz, feijão e rúcula e pagamos R$ 7,00 por pessoa. Lá fomos servidos por Lúcia, uma garotinha de 11 anos que nos contou um pouco de sua história. Havia sido reprovada em matemática e naquele momento fugia do PETI, pois o professor não estava fazendo nada, "apenas olhando para os alunos". O sonho de Lúcia era fazer Direito ou Medicina. Depois do almoço fizemos o passeio pelo mangue. Estava muito cansado.
E essa visão de pau-de-arara-aquático?
O canoeiro, eu, Diego e as duas bicicletas, numa canoa que mal cabia duas pessoas! Ainda sobrou espaço para bater uma foto, se equilibrar e segurar as bicicletas!
"E esse teu sotaque nordestino
E essa tua visão de pau-de-arara
Restos de retalhos de bandeiras
Desfraldadas"
Bandeira Desfraldada - Vital Farias
e ainda faltava o morro
Pra que serve o sofrer?
chegamos em Baía da Traição
Esse foi o pior trecho da viagem. Arlindo resolveu procurar um posto médico para fazer um curativo no pé e Zé foi procurar algum lugar para tomar café. Eu e Diego ficamos esperando numa barraquinha na praia com vista para o farol, tomando água de côco. Havíamos combinado ir por uma trilha e não pela orla, mas eu e Diego discordamos da idéia. Arlindo e Zé demoraram quase duas horas para voltar e a maré encheu. Mesmo assim arriscamos seguir pela orla. Arlindo disparou (talvez chateado pela mudança de planos) e seguimos atrás num terreno impróprio para as bicicletas. Num certo momento tivemos que descer e sair andando empurrando a bicicleta na areia fofa, num sol escaldante de meio-dia.
filosofia de canoa
Nessa travessia aproveitamos para conversar com os dois pescadores que fizeram os papéis de remadores. Lá em Dona Aparecida já sabíamos que a água da localidade era péssima, com Júnior e Edivaldo confirmamos o descaso com os habitantes locais. Ficamos filosofando sobre as possibilidades de mudança, ou não, da vida naquela localidade. Arlindo achava que aquilo era um paraíso, vida pacata e mansa era o suficiente. Perguntei se aqueles jovens estudavam. Júnior falou que estava cursando o terceiro ano do ensino médio, que por muitas vezes acordou às 4h30min da matina para poder pegar o transporte da Prefeitura e poder estudar na "cidade", quando o ônibus quebrava (fato freqüente) voltavam andando. Disse que tem professor que passa até um mês sem aparecer. A merenda, quando tem, é servida também para o ensino médio (o pessoal lá dá um jeitinho). A travessia é longa, requer um trabalho braçal intenso. Lembrei da placa publicitária do governodoestado (sic) que cedia R$ 25.000,00 para a Comunidade de Barra de Mamanguape para implementar um projeto de artesanato. Detalhe: o dinheiro era empréstimo ao Banco Mundial (projeto cooperar). Será que o governo não possui autonomia financeira para bancar vinte e cinco mil? Para "ajudar" a esposa do deputado Ruy Carneiro a fazer uma cirurgia bucal o governou "doou" quase essa quantia. Será mesmo uma vida feliz?
3.2.07
vou dar uma espiada na pescaria
Chego para conversar com os pescadores. Pergunto o nome dos peixes, o que eles fazem com a pescaria, como ganham a vida. Um pescador diz que nem sempre é fartura assim, às vezes não pesca nada. O papo é curto e não me deram muita atenção. Perguntei pelos "peixe-boi", já que estávamos numa área de preservação. Existem poucos e de vez em quando aparecem. Dois deles estavam em cativeiro, mas era preciso pagar R$ 5,00 pelo passeio.
vida de pescador
O que fazer com tanta fartura? De repente vem o povo, cada um com sua sacolinha e apanha um pouco do peixe. - Não vende para fora não? Perguntei. A resposta é lacônica e direta: - não! E aí passamos a analisar a vida dos pescadores, compreender o sentido daquilo, a rotina do trabalho e as perspectivas de uma outra vida. A análise fica para a próxima foto, já que foi uma demorada travessia de canoa.
a primeira pousada (chalé)
Chegamos em Barra de Mamanguape sem saber se encontraríamos local para dormir. Felizmente uma senhora alugava um chalé por R$ 20,00 e tomamos o primeiro banho do dia. Achamos um restaurante e Dona Aparecida nos recebeu. Zé pediu para cozinhar o inhame e o jirimum e a gentil senhora ainda complementou com arroz, feijão e uma salada. Dona Aparecida, muito simpática, falou sobre sua vida. Como nordestina seguiu para o Rio com 17 anos deixando sua filha com parentes. Lá trabalhou, deu duro e voltou alguns anos depois para cuidar da mãe. Disse que em Barra de Mamanguape as pessoas vivem da pesca ou da "prefeitura" e que a cidade não oferece muitas possibilidades, além de não acreditar mais nos políticos que "são todos iguais". No outro dia pela manhã tomamos café com ela. Arlindo perguntou se não haveria uma tapioca e Dona Aparecida, na sua calma e descanso, respondeu: - ah! se tivesse eu também queria!!!!
"Salto no escuro de meter medo nos olhos
De meter medo a quem medo nunca sentiu
Tentar a sorte no Rio de Janeiro
São Paulo, no mundo aceito o desafio..."
Hino Nordestino - Moraes
daqui prá frente, quase escurecendo, apenas a sinfonia do mar
vem vamos embora que esperar não é saber!
desbravando o caminho
Como fui o único que teve coragem de atravessar a correnteza e verificar o caminho possível pela maré, cheguei sozinho do outro lado. O rochedo e o automático da máquina ajudaram-me a registrar o momento da chegada.
"A mais cruel armadilha
Encruzilhada dos fins
E os alicerces das ilhas
Roído pelos cupins..."
Fuba - Braúlio Tavares
Arlindo corta o pé numa ostra e ainda estávamos no marco zero da viagem!!!!
no cemitério da Guia
Chegada em Costinha-PB
Eu, Arlindo, Diego e Zé Barbosa (os três primeiros professores do CEFET-RN UNED Mossoró), desembarcamos em Costinha-PB e começamos um projeto que muitos chamaram de maluco e Pedro Osmar e Jaiel de Assis diriam:
"Beijo por beijo não vale a pena dar
Morte por Morte é uma loucura só
Eu e o amigo que se desespera
Dentro da cerca de uma prisão
Sabemos, ainda é cedo
Pra pisar na lama
Mas um vôo longo
Pode ser tentado
Enfrentando balas
E outras ações
Feitas por encomenda
Pra te afastar dos teus
Que como mendigos
Andam sem pátria tatuados pelo temor!"
dentro da balsa para Costinha-PB
Saída na Balsa de Cabedelo-Costinha-PB 29-01-07
Intróito à Nação
Depois de quatro dias pedalando com três amigos de Costinha-PB à Pium-RN (125km) aprendi muita coisa. Conheci melhor o Nordeste e o povo que vive à margem do Oceano Atlântico. Vou me valer do magnífico CD de Zé Ramalho (Nação Nordestina, 2000) para expressar tudo que passamos.
"É uma nação
Dentro de um grande país
Um grande povo
Dentro de outro maior
E esse nó
Não desata nem destina
Que essa Nação Nordestina
O Brasil é o melhor" Zé Ramalho
"É uma nação
Dentro de um grande país
Um grande povo
Dentro de outro maior
E esse nó
Não desata nem destina
Que essa Nação Nordestina
O Brasil é o melhor" Zé Ramalho
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