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17.5.18

Acarajé já!

Eu quero comer um acarajé sem culpa
Mais que lipídios
Quero degustar desse prazer
Sem precisar ser um privilégio

Quero comer um acarajé
Quando todos os meninos estiverem
no colégio

Não vou pedir abará
Quero calorias
Amor sem sacrilégio
Discurso sem ódio
Pátria amada Bahia

Entre bolos, bolsos e cia
Quero uma acarajé com sotaque
Sem meio termo
Mais à esquerda
Quente e calórico

Vermelho no sangue

Não me venha com abará
Quero com todas as forças
Em 2018
Acarajé já!

30.3.18

Vida e morte


Aqui não neva
Apenas a poeira fina embaça meus olhos
Aqui ninguém viu a vida
Apenas as pessoas vivem em embrulhos

Cobrem o frio, a fome, o ódio

Nunca neva
Sempre frio

Nunca neva
Sempre fome

Nunca neva
Sempre ódio

Apenas pessoas
Nunca vida

Sempre fome
Nunca trem, ônibus ou chorume

Sempre choro

31.1.18

dú(vidas)

Tenho medo de estar enquadrado
De ser um quadrado
imóvel

Tenho medo da geração comida rápida
De fazer parte da estatística dos que não lêem
Neste país sem livrarias

Tenho medo de Deus e dos meus pecados
E tenho apenas um sentimento esquálido

Deus me livre dessas regalias
Dos anéis de ouro e prata
Dos bordéis e dos casacos

Quero partir nu
Rumo ao infinito
Sem sombra e sem dú(vidas)

13.12.17

Sentimentos

Tenho uma calça com bolsos furados
E sentimentos vazados
Por todos os lados