Páginas

14.1.19

poemas à espera de notas musicais

escrevo poemas para que eles ganhem o mundo
como filhos criados soltos

alguns nascem vibrantes
outros natimortos

alguns nascem como se o cordão umbilical
estivesse preso à garganta
outros suspiram intensamente

alguns são de parto normal
outros arrancados à fórceps

muitos deles berram
outros gemem

alguns suplicam
outros são mera súplica

alguns são poemas adestrados
outros revoltos

alguns mamulengos
outros miseráveis

mas, o que todos desejam
é poder viralizar em notas musicais
como os haicais
do Leminski

toda mentira é verdade

tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
minto
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéoquesinto
minto
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéomeugrito
minto
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéogemido
minto
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoévaidade
minto
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoéverdade
tudooqueeuescrevoétempestade
minto
todamentiraviraverdade
todamentiraviraverdade
todamentiraviraverdade
todamentiraviraverdade
todamentiraėverdade
minto

19.12.18

Patrão


Patrão
Frederico Linho
(para Bituca)

Não quero dormir esta noite
Não quero acordar e ver a cara do meu patrão
Prefiro o sono dos justos
E sonhar com a liberdade como um clarão

Não quero ouvir um boçal dizer
Que é duro ser patrão neste país
Quero acordar tarde
E viver este sonho por um triz

Quero dormir e sonhar com a liberdade
“Quero os meninos e o povo no poder”
Quero que digam que não tenho idade
Que meus sonhos são pueris

Quero acordar agora mesmo, dessa realidade infeliz
Quero casa, pão, solidariedade
Vou escrever essas palavras por todo o chão
Quero ver brotar esse sonho, como planta e raiz

7.12.18

Guernica Retirante

sou todo Guernica
uma guerra civil em ebulição
sou pedaços de gente
espalhados pelo chão

sou todo Os Retirantes
a seca que assola minha compaixão
sou o menino esquálido
que mendiga por um pão

sou Picasso, Portinari
sou uma tela encravada
no interior de uma gestação

sou o germe que alumia
sou a boca escarrada
sou o sentimento do mundo

sou essas duas telas
uma barriga d'água
uma bomba que silencia
a indústria da seca que mata

sou cinzento
meio ocre
agridoce
e ser nada disso
é o que me resta
[ser]

6.12.18

Assassinado

Eu quero morrer assassinado
dois tiros no meio do peito
eu quero morrer assassinado
quero manter esse doce legado

John Che Lennon Guevara

quero minha cova rasa
a cova de Conselheiro

eu quero morrer assassinado
quero fazer parte de um crime com cheiro de chorume

quero que seja a mando de um juiz
e que o crime continue impune

Marielle Luther Franco King

eu quero morrer assassinado
pelas intempéries dessa vida
quero provar o sabor de uma escopeta
ao molho sugo do meu peito

Salvador Mahatma Allende Gandhi

não me salve desse escrutínio
quero ouvir na voz do Brasil
o elogio ao meu algoz
alguém fanático dizer que ele foi brilhante

bang bang

não quero que a história seja assassinada
ela tem que estar viva
para contar os crimes contra mim
e contra a humanidade

4.11.18

Silêncio

Adoro o silêncio
Preciso do silêncio preciso
Do grito de Munch

Preciso do silêncio
Para me reinventar

O silêncio do sono
Do pensamento
O silêncio das cores

Preciso do silêncio desbotado
Do tempo espaço entre as notas musicais

Preciso do silêncio vivo
Pulsante
Ofegante

Para continuar vivo,
preciso do silêncio do leito de morte

15.10.18

Dia dos Professores


15 de outubro: Dia dos Professores/as
Nós educadores/as não temos o que comemorar

As precárias condições de trabalho, os baixos salários e a desvalorização da profissão são fatores que indicam que temos muita luta pela frente.

Para piorar este cenário, o candidato da extrema direita afirma, em seu programa de governo, que irá "extirpar a ideologia de Paulo Freire das escolas", desrespeitando a nossa autonomia intelectual e pedagógica, a pluralidade de ideias e agredindo a memória de um dos maiores educadores do mundo.

O candidato da extrema direita afirma ainda em seu programa que não haverá recursos novos para educação e não trata do financiamento da área com transparência. Seu programa não propõe nada para o FUNDEB. Dessa forma, deixa claro a política do estado mínimo e que traz consequências nefastas para a maioria da população que precisa da educação pública, seja na educação básica, seja no ensino superior.

O economista do candidato da extrema direita, afirmou em entrevista que irá cobrar taxas nas universidades públicas e irá instituir o sistema de “vouchers” na educação, copiando um modelo fracassado e que dilapida a educação pública. Afirma que irá vender todo o nosso patrimônio (PETROBRAS, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica etc) para pagar a Dívida Pública, ao invés de propor uma auditoria conforme prevê a Constituição.

Como se não bastasse, o candidato da extrema direita, defende o bisonho projeto Escola sem Partido, que nada mais é do que o cerceamento do trabalho pedagógico sob o viés ideológico da direita, ou seja, o projeto é partidário de ideias reacionárias que devem ser implantadas, de maneira autoritária, no âmbito escolar.

Dessa forma, neste momento tão difícil da política nacional, conclamamos todos/as os/as trabalhadores/as em educação a continuar estabelecendo diálogo com a classe trabalhadora no sentido de alerta-la dos perigos desses projetos para a nossa democracia.

Por mais recursos para a educação! Pela liberdade pedagógica!
Pela autonomia intelectual! Contra o Projeto Escola sem partido!
Paulo Freire presente!
#elenão #elenunca