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24.10.09

Ônibus escolar

Ônibus escolar no interior da PB, sem o vidro traseiro

Festival...

A grande mídia anunciou para este fim-de-semana o "Festival de Fruticultura", uma realização da Prefeitura de Cuité/PB, com apoio do Ministério do Turismo. Dentre as atrações estão Garota Safada, Brasas do Forró e mais algumas daquelas bandas que contagiam a população com apelo barato e formam a consciência daquele cidadão amorfo - tudo isso de maneira deliberada, frente ao caos de fome e miséria que atravessamos.

No dia 23 de outubro o Jornal Correio da Paraíba publicou a ratificação e homologação do processo 051/2009 (inexibilidade de licitação 004/2009) com o objeto de contratação de empresa para realizar o referido festival. O valor? R$ 157.500,00 em favor de Sheila Ricarte Martins (Sheila Promoções e eventos), data de 16 de outubro de 2009. No dia 24 de outubro o edital é republicado por incorreção, mantém-se a empresa, porém o valor é de R$ 118.430,00 (data de 16 de outubro).
A folha de pagamento (agosto) dos 60% do FUNDEB de Cuité/PB (referente ao pagamento dos professores) foi de R$ 134.482,11.

Visitei o portal da transparência e não constatei nenhum repasse do Ministério do Turismo à Prefeitura de Cuité/PB, mas fico imaginando o apoio do MT num evento com esta proposta.

Num momento em que os prefeitos "reclamam" da queda do FPM faz sentido realizar um evento que quase se aproxima da folha de pagamento do magistério? Exatamente numa região onde o Piso Salarial dos Professores não vem sendo implantado!

Outra questão, um valor de mais de cem mil reais é interessante declarar inexibilidade de licitação?

Até quando o dinheiro público servirá para ludibriar o povo com essas bandas de forró?

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I Festival de Fruticultura 24/10/09 - Cuité/PB
Sexta 23
Garota Safada e Forrozão Tempero Completo
Sábado 24
Brasas do Forró e Banda Feras
Domingo 25
Louro Santos e Victor Santos e Forró Pegado

23.10.09

“A UFCG pede socorro. Ela virou o lugar onde a safadeza se transforma em dinheiro.”

Tribunal de Contas da União (TCU)
Processo número 013.568/2009-5
Entrada 16/06/2009
Assunto: Denúncia – possíveis irregularidades perpetradas contra o erário público
Responsável: Thompson Fernandes Mariz
Interessado: Identidade preservada

DENÚNCIA AO TCU CONTRA A UFCG

“Enriquecimento ilícito de poucos e ao desvio de R$ 1.917.501,15 de recursos públicos empreendidos pela cúpula dirigente da UFCG.”

“Há mais de 20 anos um grupo de docentes e servidores carreirista, com pouca qualificação acadêmica e sem compromisso com o ensino e a pesquisa se apossaram dos cargos burocráticos da antiga UFPB.”

“(Thompson organizou a sua campanha a reitor) mediante atos clientelistas, a exemplo da contratação de mais de duzentos terceirizados (via empresas), todos parentes de servidores.”

“O Magnífico precisou cooptar e para tal assumiu compromissos impensáveis, dentre eles contemplar 34 cabos eleitorais com funções de confiança, criadas ao arrepio da lei.”

“Mais uma vez empossado (Reitor) passou a pagar a seus cabos-eleitorais gratificações (mensalão) com dinheiro público, dissimuladas sob a denominação de bolsas.”

“Todos os ‘ficto-bolsistas’ contemplados, na realidade, desenvolvem atividades burocráticas ou de permanente campanha junto à reitoria.”

“A motivação desses ilícitos prendia-se à busca desenfreada do Reitor pelo terceiro mandato consecutivo.”

“O grupo da reitoria conseguiu cooptar conseguiu cooptar várias lideranças sindicais, vários membros dos Colegiados Superiores da UFCG e até o Presidente da Comissão Eleitoral.”

“A reitoria criou mais de 86 gratificações que são pagas a cabos eleitorais, aparte dos contracheques desses servidores.”

“Como contrapartida ao recebimento dessas benesses, a Reitoria cobra mensalmente de cada servidor beneficiário a devolução de 15% do valor bruto que lhe é pago, destinando-o a um fundo de campanha.”

“Prejuízo ao erário no período de 2005-2008: R$ 1.917.501,15
Sonegação de imposto no período de 2005-2008: R$ 492.438,44”

“A esses condenáveis atos vem se somar a prática do execrável nepotismo na UFCG.”

“O resultado desta prática política é o beneficiamento de uns poucos em detrimento de uma Universidade de qualidade que assiste perplexa a sua derrocada.”

“Nos últimos seis anos temos assistido de forma avassaladora à degradação da vida democrática na UFCG. Esse estado de coisas se materializou no seu cotidiano e ganha ares de dramaticidade nos períodos de eleição caracterizados por troca de favores; intimidação e/ou cooptação dos adversários; instrumentalização do cargo de Reitor para fins político-partidário e espetacularização da política.”

“Os órgão colegiados superiores contaminados com bolsistas-mensaleiros ou seus parentes perderam a legitimidade e aprovam o que o Magnífico quer.”

“A UFCG pede socorro. Ela virou o lugar onde a safadeza se transforma em dinheiro.”

17.10.09

Dia de Mobilização em Defesa da Escola Pública

No dia 28 de outubro de 2009 a Turma de Legislação da Educação, da Universidade Federal de Campina Grande (Campus de Cuité/PB), estará realizando o “Dia de Mobilização em Defesa da Escola Pública do Curimataú Paraibano e região”. O evento acontecerá na Praça Cláudio Gervásio Furtado em Cuité/PB às 14h e tem como objetivo ampliar as discussões sobre o controle social dos gastos públicos, especialmente vinculado ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB) e aos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social (CACS) da região.

Segundo o professor Lauro Xavier Neto, organizador do evento, a iniciativa surgiu das discussões travadas na disciplina Legislação da Educação Básica, ofertada para todos os cursos de licenciatura da UFCG (Campus de Cuité), e motivada pela campanha “Olho Vivo no Dinheiro Público” da Controladoria Geral da União (CGU). “Inclusive a CGU cedeu várias cartilhas que serão distribuídas durante o evento”, diz o professor.

O Dia de Mobilização em Defesa da Escola Pública terá a apresentação de teatro de fantoches, exibição de vídeo sobre o FUNDEB, cartazes de orientação à população, jogos de perguntas sobre o FUNDEB e Conselhos de Controle Social, além de uma aula em praça pública sobre a participação popular nos gastos públicos.

Além disso, haverá uma exposição de livros e distribuição de cartilhas sobre o FUNDEB, Alimentação Escolar, Orientação aos Vereadores, Controle Social e a Cartilha Olho Vivo no Dinheiro Público.

A população também será orientada de como ter acesso aos gastos públicos através do Portal da Transparência e do Sistema Sagres do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba.

O evento conta com participação de mais de 40 alunos da disciplina de Legislação da Educação e faz parte do calendário da Formação Continuada de Professores ofertada pelo Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Educação (NIPEE) da UFCG.

9.10.09

desintegro/entrego

desintegro-me entre paisagens nebulosas
feridas entreabertas
bocejos ao entardecer

desintegro-me ante maus presságios
muxoxos incontidos
bom dia - mal (dito)

desintegro-me em cada viagem
sem destino, sem lua cheia

desintegro-me ao ver o não visto
e não conseguir convencer
meia dúzia

desintegro-me ao ver o riso sarcástico
a derrota de outrem como troféu
migalhas jogadas ao léu

desintegro-me ao ver gente cabisbaixa
num tom lamurioso
silenciado pela força

desintegro-me
desintegro-m
desintegro-
desintegro
desintegr
desinteg
desinte
desint
desin
desi
des
de
d
.
e
en
ent
entr
entre
entreg
entrego
entrego-
entrego-m
entrego-me

entrego-me nesta luta insana
buscando viver mais +
e desintegrar menos -

entrego-me incessantemente
ao meio dia
meia hora, toda hora

entrego-me sem meias palavras
sem meios dilemas
sem meios

entrego-me de olho fechado
às vezes utilizado
por um covarde

entrego-me com dor de dente
com displasia
e sem anestesia

entrego-me por não ter medo
mesmo no probatório
não corro de uma boa peleja

desintegro-me, integro-me
entrego, não entrego

movimento dialético
de algo que não vou ver mudar
mas não cansarei de tentar

4.10.09

Rio 2016

Meu professor salário não tem não
Minha escola não tem plinto
Na verdade todos os alunos são
Do pré ao quinto

Na merenda tem biscoito
O Conselho está irregular
O FUNDEB, sem muito esforço
O Coronel consegue faturar

Meu professor está cabisbaixo
O diretor tem o poder
Rapadura está no tacho
Sem bola no recreio é de doer

Não temos computadores
Nem direito de aprender
Sofremos com tantas dores
Que ainda hão de aparecer

O Lula até chorou
Acho que lembrou
Da nossa escola, que não é toda e sim um pedaço
E nós aqui, temos que ter peito de aço

Disseram que agora o esporte
Invade a escola
Mas, isso é de morte
Nossa escola não decola

Não há escola, há esfarrapados
Não tem badminton, vôlei ou qualquer variedade
São sonhos esparramados
Distantes da realidade

29 bilhões para a o sonho Olímpico
E eu te peço ao menos o piso
Por favor, eu suplico
Para o professor não ficar tão liso

E agora são sete anos
Para aumentar as medalhas
Será que encontrarão os insanos
E nós continuaremos com as migalhas?

Queremos escolas, para cumprir o desiderato
Velho sonho de uma educação de verdade
Longe daquele rato
E da gente cheia de vaidade

As escolas do campo nada têm
Quadro e giz, no máximo
E meus amigos não nadam bem

Não sabemos o que é handebol
Basquete ou voleibol
Só sabemos o que é um pau-de-arara
E não aprendemos nem o salto com vara

Beisebol, hipismo, marcha atlética
Deve ser algo do primeiro mundo
Aqui é gude, pula-corda e banho de bica
E uma corrida até a casa de seu Raimundo

Minha escola nem no IDEB apareceu
É escola do campo e não mereceu
Vai ver que só os primeiros terão vez
No Rio 2016