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23.9.06

O Arcebispo da Paraíba é uma farsa

O Sr. Aldo Pagotto, atual Arcebispo da Paraíba, chegou causando polêmica e mostrando seu estilo ao condenar os casamentos megalomaníacos que aconteciam na capital paraibana. Em seguida, partiu para cima dos religiosos que disputavam vagas na câmara e assembléia legislativa, num recado direto para o Frei Anastácio e o Padre Luiz Couto, recomendando que retirassem os títulos eclesiásticos enquanto estivessem em mandatos eletivos, ou em campanhas políticas.

De pronto, ganhou os holofotes da mídia e começou a preencher os espaços jornalísticos e a escrever em colunas semanais nos jornais locais. De ótima formação e utilizando palavras e termos rebuscados (aliás, a Igreja Católica realiza um trabalho exemplar nesse sentido), o Arcebispo ganhou, em pouco tempo, notoriedade e respeito da “sociedade” paraibana. Logo iria mostrar para que veio.

O seu estilo polêmico ganhou corpo quando começou a defender, em seus artigos, o trabalho infantil, sem ao menos contextualizar o debate. Ao afirmar que a criança deve trabalhar para livrar-se das drogas ou do “mal caminho” esqueceu do Estatuto da Criança e do Adolescente. O ECA, como é conhecido o Estatuto, é apenas uma tentativa de minimizar os efeitos nefastos da sociedade capitalista sobre as nossas crianças. O fato do Arcebispo nadar contra a maré no caso do Estatuto foi lamentável e mereceu repúdio de vários setores da sociedade civil organizada. Infelizmente, o carismático líder religioso apenas afirmou seu posicionamento de classe, onde as crianças ricas devem estudar e perpetuar a riqueza financeira e o poder político dos seus pais-patrões. Cabe então, na visão do Arcebispo, às crianças pobres desse país, cumprir seu destino de operários-padrões e começar a labuta deste cedo. Assim, tais crianças não irão perturbar o sono dos detentores do poder financeiro. Este episódio é a marca indelével do posicionamento de classe do Sr. Pagotto, um rasgo conceitual em favor da classe burguesa e expresso através do seu ódio patológico aos Movimentos Sociais organizados.

Ódio esse visualizado através de campanhas sistemáticas que atentam contra vários setores da Igreja Católica ligados aos Movimentos Sociais do campo e da cidade. Para tais Movimentos, o Arcebispo da Paraíba tem sido uma pedra no caminho, agindo diuturnamente para ceifar espaços e dirigentes que atuam lutando contra a direita em nosso estado.

Para corroborar com esta análise basta seguir os passos do Sr. Pagotto, que nada tem de semelhante com os passos de Jesus. Após a prisão de Cícero Lucena, acusado no esquema da Operação Confraria da Polícia Federal, o Arcebispo foi celebrar uma missa em favor do acusado logo após este conseguir o habeaus corpus. Como de praxe aos políticos adeptos do proselitismo, Cícero cita Deus em todas as suas falas, de cinco em cinco segundos, ato que deve contar com a graça do Arcebispo.

No programa político, do horário eleitoral, do Sr. Cássio Cunha lá estava o Sr. Pagotto, desta vez fazendo campanha explicitamente para os tucanos. Aliás, a maior arma do Sr. Cunha Lima no caso do escândalo dos cheques da FAC é o próprio Arcebispo. Sempre que questionado sobre o processo ilícito (e imoral) dos cheques o tucano é assertivo em dizer que o processo contou com a “fiscalização” do Sr. Pagotto e tudo será resolvido com a graça de “Deus”. Aliás, no mesmo programa eleitoral, Cunha Lima tem o descaramento de dizer que o empréstimo consignado para o funcionalismo público junto a um banco estrangeiro não trouxe prejuízos a ninguém! E quem pagou a conta senão os cofres públicos, com dinheiro arrecadado do povo trabalhador?

Mas o Sr. Pagotto escreve sua história na Paraíba (locupletada pelos mesmos grupos políticos), não só pelas presenças, como também pelas ausências. Não encontramos o Arcebispo nas lutas sociais organizadas pela Igreja progressista em nosso estado, especialmente nas lutas dos camponeses que derrubam grilhões e ocupam terras improdutivas (na voz do Sr. Pagotto escutamos a palavra “invasão”, termo cunhado pela mídia de atitude fascista), não encontramos o Arcebispo nos debates e palestras dos operários, sindicalizados, desempregados organizados, pois isto não agradaria aos poderosos que sustentam sua presença no estado.

A carismática é a sua forma de organização, a Teologia da Libertação arrepia seus cabelos. O fortalecimento da burguesia e da propriedade privada, vinculadas aos grupos políticos reacionários, é o mote de sua presença na Paraíba. Aterrorizar e criminalizar os Movimentos Sociais é sua tarefa contumaz. Por isso, acredito que a classe trabalhadora, da cidade e do campo, deve capitanear uma ação conjunta para exigir o retorno de religiosos que atendam aos anseios da maioria do povo da Paraíba e excomunguem aqueles que representam a farsa da história.

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