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1.6.15

Labirinto




 “- Carajo! – suspirou. – Como vou sair desse labirinto?”
(O general em seu labirinto. Gabriel Garcia Márquez.)

Em cada quadra um relógio
Cada qual com sua hora
seu ponteiro, sua mentira

A Rua Rodrigues de Aquino parece interminável
Parece circular com seus labirintos políticos
Cada quadra um fim
e um recomeço

O carteiro se perdeu
O rapaz que lava carro ficou estático
O homem do fiteiro forma opiniões
A porta de vidro antevê o presente
A passeata segue lúgubre

Carros e mais carros anunciam que todos têm pressa
Inclusive a violência que tocou a campainha às nove da manhã
Militantes com suas bandeiras tocam tambores do dissabor
desafinados pela ordem corrosiva das alianças esdrúxulas

Melhor era ter nascido anos atrás
Clandestino nas células da resistência
Entregue ao tempo e à luta
Distante deste labirinto temporal

14.5.15

Mimo

Sumimos neste quadro grotesco
De janelas cerradas
De grades e cercas
De gente enclausurada

Para tanto, só mimos

Sobrevivido

Tenho sobrevivido aos abalos vívidos
Dos tremores sísmicos
Da escala ríspida

Tenho sobrevivido sem bares nem ares
Aos apelos do iogurte de sabor fenomenal
Em potes de uma vida insossa

Tenho sobrevivido aos rumores enlatados
Dos amores infiltrados
Com prazos recursais indeferidos

Tenho sobrevivido ao tempo
Aos espasmos midiáticos, à crítica teatral
As peças pregadas pela vida

Tenho sobrevivido especialmente
A esses restos de homens
A esses pratos de ontem
A esse ofício sem rumo
A essa noite sem fim

5.5.15

Sobrevivência escolar

Não era um cavaleiro diletante
Era apenas meu aluno, um cavalo e uma carroça
cheia de papelão
O ganha pão de um menino transformado em homem

Era apenas um aluno, distorção idade-ano
estudava no quarto ano fundamental

Era apenas um aluno
quinze anos
Ensinando o fundamental da vida
[a sobrevivência]
Na falta da infância
das letras
da família
da comida

Seguia roto nos descaminhos da vida
Gritou por mim: - professor!
Lembrei do dia em que pediu para repetir o suco
Poucas goiabas naquela merenda esquálida
E teve como resposta uma negativa seca
Tão esvaziada quanto seu estômago

Era mais um aluno que ensaiava durante as aulas
Capoeira, mata-leão, golpes afins
Com o objetivo de combater o aparelho repressivo

Não me caberia repreendê-lo
tornei-me seu discípulo
nesse árdua batalha pela sobrevivência


18.4.15

Gole

Vou lutar até o gim
Digo
Até o fim

Ou melhor
Até o último gole

Desta garrafa de mim 

4.4.15

Exoneração

Não bebo
Não fumo
Só transo com camisinha do SUS
No almoço, ovo com cuscuz
[orgânico]

Carro velho quitado
Casa do Vovô
Com teto, telhado e sem dívidas

Não paro em bares
Mergulho de graça
No profundo azul do mar

Tuas ameaças não abalam
Meus ideais
Não sofro do fetiche da mercadoria

"Exonere-me covarde
Você vai demitir apenas um homem!"

26.3.15

Régua



Do lado esquerdo do zero
Existe o menos um
Menos dez
Menos mil
[infinitamente]

Quem apenas começou do zero
Nunca vai compreender o regozijo
[e a dor]
De recomeçar do menos cinco mil e um

11.3.15

Refeito

Às vezes esqueço quem sou
O que fiz
O que sonhei

Aguardo o tempo bom para plantar
Aro mais uma vez a terra
Jogo sementes para o ar
Espero as águas de março
E recomeço a germinar

8.3.15

Escola-Presídio

Quando vejo uma escola-presídio
Lembro da minha infância com parquinho
Banho de sol e quadra esportiva

Mesmo com tantas regalias não passei incólume
A escola deixou marcas, edemas e traumas

Penso nas crianças da escola-presídio
Sem direito a intervalo
Dez minutos para engolir a merenda

Liberdade condicional às onze e ponto
Depois de uma manhã de trabalhos forçados
Em cubículos opacos

Ao lado da escola um presídio para adultos
Dedo em riste, o recado dado
"se não for um bom menino..."

A escola-presídio é uma incongruência da arquitetura educacional
É o dedo podre do Estado, carcomido,
Que aponta com firmeza para o caos

Ao lado crescem casebres, escabioses e cáries
Sorrisos e infâncias perfurados pelo descaso social

Urge a revolta, às vezes debelada pela escola,
Dizer em uníssono: libertem nossas crianças!

6.3.15

Classificados

Ofertas

Urgente. Ofereço-me para ler livros, horário comercial e não comercial, folgas quinzenais, salário a combinar, dedicação exclusiva.

4.3.15

Epifitismo ou A terceira capa do livro



(Para Engels e Guimarães Rosa)

Enraizado naquele lar saudoso
Emaranhou-se na terceira capa do livro

Na celulose dos romances, contos e poemas
Realizou o epífito com precisão
Meio homem, meio vegetal
Sem necessidades históricas, nem fisiológicas

Cumpriu com primazia o desfecho da ação política
O papel da transformação do macaco em homem
O papel da transformação do homem em literatura
Seu último e eterno prazer contumaz

24.2.15

Encomenda

Não escrevo por encomenda

A poesia para mim é como um raio
Incerto, catastrófico
Às vezes fatal

A poesia para mim é beligerante
Uma luta constante
Entre o que desejo e o real concreto

Não imagino poesias em livros
Com direitos reservados ao autor
Se não correm soltas
Se não podem ser modificadas
São prisões afônicas
Nunca poesias libertárias

18.1.15

Estrada


E essa estrada colorida
Levará sonhos carregados em mochilas
Paragens amarelas
Paisagens e amores
Caminhos que clamam por mudanças

Vai filho grita nessa tempestade
Ressoa que é preciso prosseguir
E que seja verde enquanto dure


27.11.14

Pieguice

Desculpem a pieguice
Se ainda choro
Pela morte do leiteiro

Desculpem a pieguice
Se ainda brado
Por camaradas imprescindíveis

Desculpem
Eu não sabia que violetas não se plantam
Que elas duram apenas três dias

Desculpem
Pensei que plantações de gente
Durassem a vida inteira

23.11.14

Violetas

Não há mais flor de mandacaru
Não há mais a menina que enjoa da boneca
As violetas não brotam mais
Plantaram sangue no chão da escola

Tudo seco, sem cheiro de flor
Tudo é dor neste pasto seco

Margaridas, Violetas, não violentas
Lutadoras, poetas, meninas
Sonhos que se foram

[Violentamente]

E mais que nunca precisamos plantar
Violetamente!

21.11.14

Moradias



Moradias?

Parecem caixões sem alças, torrando solenemente ao sabor do sol
Um mato rasteiro sobressai frente as agruras da vida daqueles que terão que se sujeitar a viver num lugar tão inóspito

Moradias?

Quede a praça, os banquinhos, os balanços, a rebeldia?
Quede o cheiro verde, as árvores, a escola, a infância?

Os caixões perfilados, opacos, sem flores, silenciam o lugar insalubre
Mais parece um enterro coletivo de gente soterrada pela exclusão

Aqui jaz a dignidade humana


20.11.14

Órbita

Na semana que num meteoro pousou um robô
Não consegui pousar em mim mesmo
Até parece que alguém me robou
Bateu minha carteira num planeta esmo

E meus vizinhos continuam brigando por migalhas
Enquanto 40 milhões de verde-amarelos planejam pousar em órbitas fora da fome
Orbitam sob o signo desconexo das metralhas
Olham para o céu com a cara de quem consome

E a tecnologia alcançou um meteoro, na mesa o cheiro de agrotóxicos, em algumas barrigas o cheiro da fome, nas urnas o engodo, nos esgostos políticos saltam aos olhos. Qual será o próximo planeta a ser descoberto?  

11.11.14

A(r)me

Arme-se contra o machismo
Arme-se no marxismo
Ame-se no existencialismo
Ame o comunismo
Ame o sismo
o abalo
o tiro
a ira
o id

Ame
ou
Arme

Mas não se esqueça de odiar o idiota capitalista

26.10.14

Domingo

Um leito viscoso corre sobre minha sombra denegrida. Encobre paisagens e desfruta do horror matinal.

Amanhã é domingo e este pasto seco deixado pelas larvas amorfas demorará a se reconstituir. Não há bom sujeito que dure sem ser tomado pelo ódio tenobroso desse rio imundo que deságua em mares infindos.

Os jornais e revistas desencontrados em bancas, antes explodidas pelos verdugos da morte, dilaceram a opinião coletiva. Não escuto ressoar o canto lírico do bem-te-vi, quedou mudo no pasto seco.

Meus olhos ardem, o horizonte ficou mais distante. Ainda não sei como irei transpor esse domingo pedregoso, mas há uma certeza dizendo que é preciso [...].

Mas não adianta. Carreatas, comícios e discursos, com volume acima da média, ensurdeceram a plateia. É preciso esperar a segunda-feira raiar.      

24.10.14

Guarida

E se eu for dar guarida a todos esses sentimentos que rasgam minha veste, seguirei nu, visivelmente tonto, esquálido e sem bússola. E se todas as propagandas fossem a pura verdade, se todas as eleições respeitassem a moral e se essa luta do bem contra o mal fosse a última fronteira norte-sul, eu estaria exilado do outro lado, bem distante desse maniqueísmo artificial, plantado justamente para crescer como folhas hidropônicas distantes da terra e sem o sabor gostoso daquele que veio da amálgama do húmus com a indignação verdejante.

22.10.14

Inerme

O sol esta manhã iluminou mais uma encruzilhada histórica
Releio notícias velhas tão novas que causam espanto
Inerme procuro nos autos mais e mais argumentos

Gente séria [e não tão séria] define o tom do debate
As ruas vazias estão cheias de santinhos que voam sem compromisso
As ruas vazias calam frente ao berro das urnas

Mais uma vez o santo demônio desintegra quem não crê no céu e no inferno
Milhões sangram e não são considerados válidos
Milhões estão em abstinência, são brancos, negros insatisfeitos, nulos pelo sistema

A ordem mundial segue [quase] incólume
Os bombardeios prosseguem, os trabalhadores explorados continuam cabisbaixos, a missa é pontual como sempre

O céu e o inferno definem como devemos agir
O outubro vermelho desbota-se num botão verde [encarnado de verdade]
Poemas sujos estão tão limpos que dão nojo

Jovens desconhecem os broches com a imagem de Vladimir
Tecem longos comentários
Afirmam ter tv, casa própria, iogurte
Chamam qualquer teoria de ortodoxa
E continuam gerando mais-valor de 8h às 18h

Chamam de sem fronteiras o ideário ianque
Os universitários sentados em privadas, reafirmam o pensamento dominante
As alianças espúrias, os velhos lobos no poder
Ladainhas do dia-a-dia

Mas amanhã vou para a rua, varrer santinhos do pau oco
Ovacionar a classe [deliberadamente] adormecida, combater a tragédia desse vazio eleitoral

Mesmo que o sol se ponha silencioso e recomece a cantilena noutro dia

15.10.14

Ímpeto

Portas entreabertas, bocas fechadas
Frestas de passagem, faces ocultas
E os desejos cálidos como um pôr do sol
Nublados por um dia eterno de chuva torrente

E este dilúvio arrasta tudo que está pela frente
Troncos, correntes, vontades, matilha
[coletivos]

Ficam entulhos, individualidades, fedor
Pensamentos obtusos e robustos
Ímpetos desajeitados, direita, ruas sem saída

E um maniqueísmo inveterado
Assiste o féretro passar
Dos sonhos que serão maculados
[e jogados em covas abertas]

13.10.14

Dobradiças

E o meu silêncio virou noite
Silêncio de uma casa inteira
Silêncio que fala mais que uma novela

Silêncio dos túmulos
Na calada da noite fria
Silêncio de uma sinfonia inacabada

De repente um ruído
Um prurido
Um tiro no escuro
Centenas de vezes gritei
Um grito mudo
Acuado, diuturno

Centenas de vezes decorei a fala
Do monólogo apresentado a mim mesmo
Num silêncio sepulcral

Centenas de vezes desconfiei
Que aquele silêncio era um eco
O ressoar de palavras [mudas]
A partida
O tilintar de algum recado
Que lavrei em papel alheio

Apupos secos, silenciosos
Proclamam, pelo menos hoje,
que parti

Parti em silêncio, sem abrir nem fechar portas
Para evitar o ranger e o gemido das dobradiças

[ ]

Depois de uma multidão
Preciso mesmo é do quarto vazio
Do silêncio dos meus pensamentos
Sem a interferência da antena de TV

Chama silêncio que não arde
[cala] balde d'água
Entope o barulho ensurdecedor
Das mazelas diárias

[silêncio]
[silênci]
[silênc]
[silên]
[silê]
[sil^]
[sil]
[si]
[s]
[]
.

27.9.14

Paraibano

Sou paraibano, nascido em Recife
[por engano]
Batizado às margens do Rio Sanhauá
Alimentado pelo refrigerante homônimo
E pelo Dore Guaraná

Nascido na Várzea
[repito, por engano]
Foi a várzea quem me criou
Correndo pelos campos de terra e pedra
Junto com os moleques de Mandacaru

Jogava bola com Zé da Penha
E outros tantos Zés-Pés-Descalços
Com tantos calos que denunciam
Que hoje não brotam mais nas Cinco Bocas
As flores do mandacaru

Nunca mais vi Zé da Penha
Nem os campinhos de várzea
Nunca mais tomei banho às margens
de qualquer rio
A cidade ficou poliglota?
Ou será que a idade se transformou num vazio?

Onde estão os meninos de pés calejados
que um dia tomariam esta terra de assalto?
Foram todos engolidos por este ignóbil asfalto?
Onde estão os indignados, cujo os pais bailavam no Pé de Ouro?
Foram todos suprimidos pelas urnas de outubro?
Ou foram vítimas do calibre do três-oitão?

Sou paraibano, repito
[apesar de nascido em terra alheia]
Escuto todos os dias as vozes da infância
Dos meninos da zona norte

É preciso reencontrá-los, dizer que ainda é possível
Deixar outro legado

16.9.14

O verme

[Microconto]

Era fruto de uma vida tão solitária, mas tão solitária, que a própria solitária que vivia feliz em suas entranhas morreu de solidão.

Plúmbeo

A cidade ferve... é provável que esta semana tenhamos mais gente na rua... insatisfeitos com essa forma tosca de tocar a "política"... desabrigados de reuniões desmarcadas, pessoas sem teto, sem emprego, sem projetos, cansadas desse oco, dessa cantilena que afirma, não despretensiosamente, que estamos em descenso. Estamos correndo ladeira acima, com o sangue fervilhando, cobrando, mirando em todo ser obtuso, que mente por esporte, por não ter nada melhor que fazer... cansamos de claquete, de gente paga para aplaudir (ou nos vaiar), de paletós e microfones... não há mundo virtual que nos cale, que nos sufoque, que deixe nossos glúteos sentados eternamente... essas correntes que nos aprisionam deixarão de ser nosso algoz e participarão da grande festa, da comemoração da liberdade, muito além de algum confirme numa passagem nebulosa de outubro... as correntes contarão cada aflição que passamos, cada humilhação que sofremos e exalarão o sabor plúmbeo desse amálgama ferroso do suor do povo lutando por seus direitos.

14.9.14

Vazio

Amanheci no Ponto Cem Réis vazio
Num domingo que poderia ter a cara do lazer
Eu, meu filho e a bicicleta
Dando voltas, imaginando aquele espaço
Repleto de acrobatas, palhaços e piruetas

Pensei em vários esportes
Patins, ciclismo, futebol, vôlei e basquete
Pensei nas crianças das ocupações
Pintando rostos, comendo algodão doce
Os pais nas oficinas de formação política

Mas a desgraça corria solta
A Lagoa tomada por buzinas, óleo diesel
Carreata, políticos, adesivos, sujeira

E o domingo correu vazio

13.9.14

Alô Alô Ivo



(Para Ivo Herzog)
 
Alô Alô Ivo
Mande notícias de Compostela
Pois aqui até Adão quer comer a costela
Do pobre menino negro
Enfiado no camburão
Com cara de navio negreiro*

Alô Alô Ivo
Acelere o caminho
Pois aqui tem desesperado
Com uma fome animal
Querendo inclusive diminuir
A maioridade penal

E os mortos e desaparecidos
Continuarão a empilhar
Os anais da história
Com o aval do estado mau

Alô Alô Ivo
Volta logo camarada
Hora de rever conceitos
Pensar no lixo da história
E evitar que nossa juventude
Faça o caminho sem volta

* “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” (O Rappa)

7.9.14

Para Joselúcia

No nosso último encontro em terras baianas você comentou como eu estava magrinho. Sigo magrinho, feinho, feito Fabiano, em Vidas Secas, que ao contar os trocados recebidos do patrão constatou que a exploração era tão cruel quanto o engodo da democracia neste sistema. Os cambitos combinam com os parcos recursos da educação, finos e incrustados nesta tênue linha entre a miséria e a insensibilidade patente dos gestores. Sigo catando restos de vida, tentando apaixonar gente para a luta e me indignando dia após dia. Talvez por isso dez quilos esvaíram porta afora, sem pedir licença. Na feira encontrei dois amigos de longa data, igualmente macérrimos, contando doenças e descasos. Por isso, resolvi correr contra o tempo e assim não deixar para amanhã as batalhas de hoje. Sigo saudoso das terras do velho Jorge, mas, apimentado que sou, enraizei-me em terras paraibanas que, antes de comerem meus olhos, sentirão todo ardor que poderei exalar enquanto eu sentir o cheiro do vilipêndio atroz desses gestores desumanos.

Agradeço o teu olhar puro que ainda enxerga a beleza neste rosto uva-passa,

saudades,

Lauro

6.9.14

O IDEB na capital paraibana

Acaba de ser divulgado o resultado do IDEB 2013. Apesar das limites e das incongruências do índice da educação básica, gestores alardeiam aos quatro cantos que a educação vem melhorando, apesar das notas e projeções estarem sempre aquém do mínimo esperado, e mesmo assim comemoram notas inferiores a 5,0.

De maneira superficial, as notas do IDEB podem apontar os problemas das redes de ensino e nos ajudar a compreender quais são os gargalos da educação nos municípios.

No caso do município de João Pessoa/PB o resultado foi pior ainda. A nota final do 5o ano da rede pública municipal de ensino foi 4,5 abaixo do resultado de 2011 (4,6). A nota do 9o ano, acreditem, foi 3,7 abaixo dos 3,9 alcançados em 2011.

E por que as notas do IDEB da cidade de João Pessoa/PB despencaram?

Um dos elementos para consolidação de um rede de ensino de qualidade está relacionado com a CARREIRA DOCENTE.

Infelizmente, a rede pública municipal da capital paraibana tem em seus quadros mais de 60% de prestadores de serviço (dados do SAGRES/TCE/PB), que são trabalhadores da educação sem vínculo, sem estabilidade, sem direito a uma carreira profissional, que recebem bem abaixo da média salarial e estão suceptíveis a todo o tipo de coerções (para não dizer uso da máquina pública em períodos eleitorais).

Se havia alguma esperança que a atual gestão pudesse mudar esse quadro, a prática tem sido outra. Forçado pela necessidade legal de realizar concurso para a área de educação (o último foi realizado em 2007!) o atual gestor brinca de fazer concurso e não convoca os aprovados, em detrimento a mais de 6.500 prestadores estarem sendo pagos com a rubrica magistério FUNDEB (SAGRES/TCE/PB).

Mesmo com a previsão legal da nomeação garantida pela LDO 2014, com o excesso de arrecadação do FUNDEB (segundo o Semanário Oficial da PMJP mais de R$ 6 milhões no primeiro semestre), com recursos extras injetados em 2014 pelo reajuste do FUNDEB 2013 e pela Complementação do Piso por parte da União, o prefeito de João Pessoa/PB teima em não convocar os aprovados no concurso público.

E os índices educacionais na capital paraibana, infelizmente, seguem ladeira abaixo.

3.9.14

Incisivos

Quando lembro que um Veloso Borges
Atirou para matar no João Pedro Teixeira
E como sexto suplente
Tornou-se deputado, livre e solto

Quando lembro que um filho de governador
[aquele mesmo que atirou para matar, virou deputado e renunciou para não ser julgado, livre e solto]
Segue líder nas pesquisas "eleitorais"
Vejo que o tiro causou a morte
e a morte
Da Lei da Ficha Limpa

Quando vejo um policial à paisana
Mostrar a arma para um trabalhador
Dar voz de prisão
Por portar pneus em seu carro
Pneus usados pelo trabalhador para lutar por moradia digna
Vejo a morte prematura da dignidade

Quando vejo um bebê de colo
Chorar na porta da delegacia
Esperar a soltura do pai preso
Pela ação arbitrária de uma polícia lacaia
Debruçada numa acusação infame

Imagino que não devemos esperar pelo amanhã
Que não devemos encher urnas
Que não podemos viver calados
Que precisamos construir nossas armas
E partir para a ofensiva
Nem que seja com os nossos incisivos
Nem que seja de maneira incisiva