22.5.18
17.5.18
Acarajé já!
Eu quero comer um acarajé sem culpa
Mais que lipídios
Quero degustar desse prazer
Sem precisar ser um privilégio
Quero comer um acarajé
Quando todos os meninos estiverem
no colégio
Não vou pedir abará
Quero calorias
Amor sem sacrilégio
Discurso sem ódio
Pátria amada Bahia
Entre bolos, bolsos e cia
Quero uma acarajé com sotaque
Sem meio termo
Mais à esquerda
Quente e calórico
Vermelho no sangue
Não me venha com abará
Quero com todas as forças
Em 2018
Acarajé já!
Mais que lipídios
Quero degustar desse prazer
Sem precisar ser um privilégio
Quero comer um acarajé
Quando todos os meninos estiverem
no colégio
Não vou pedir abará
Quero calorias
Amor sem sacrilégio
Discurso sem ódio
Pátria amada Bahia
Entre bolos, bolsos e cia
Quero uma acarajé com sotaque
Sem meio termo
Mais à esquerda
Quente e calórico
Vermelho no sangue
Não me venha com abará
Quero com todas as forças
Em 2018
Acarajé já!
3.5.18
30.3.18
Vida e morte
Aqui não neva
Apenas a poeira fina embaça meus olhos
Aqui ninguém viu a vida
Apenas as pessoas vivem em embrulhos
Cobrem o frio, a fome, o ódio
Nunca neva
Sempre frio
Nunca neva
Sempre fome
Nunca neva
Sempre ódio
Apenas pessoas
Nunca vida
Sempre fome
Nunca trem, ônibus ou chorume
Sempre choro
Apenas a poeira fina embaça meus olhos
Aqui ninguém viu a vida
Apenas as pessoas vivem em embrulhos
Cobrem o frio, a fome, o ódio
Nunca neva
Sempre frio
Nunca neva
Sempre fome
Nunca neva
Sempre ódio
Apenas pessoas
Nunca vida
Sempre fome
Nunca trem, ônibus ou chorume
Sempre choro
15.2.18
31.1.18
dú(vidas)
Tenho medo de estar enquadrado
De ser um quadrado
imóvel
Tenho medo da geração comida rápida
De fazer parte da estatística dos que não lêem
Neste país sem livrarias
Tenho medo de Deus e dos meus pecados
E tenho apenas um sentimento esquálido
Deus me livre dessas regalias
Dos anéis de ouro e prata
Dos bordéis e dos casacos
Quero partir nu
Rumo ao infinito
Sem sombra e sem dú(vidas)
De ser um quadrado
imóvel
Tenho medo da geração comida rápida
De fazer parte da estatística dos que não lêem
Neste país sem livrarias
Tenho medo de Deus e dos meus pecados
E tenho apenas um sentimento esquálido
Deus me livre dessas regalias
Dos anéis de ouro e prata
Dos bordéis e dos casacos
Quero partir nu
Rumo ao infinito
Sem sombra e sem dú(vidas)
13.12.17
3.11.17
Rumo à Estação Futuro
Agora conto o tempo através da tua história
Não uso mais relógio ou calendário
O tempo agora é o meu mistério
Vejo o tempo passar no meu redário
Não meço mais o futuro
Apenas fotos e o balançar das redes
Não conto quantos contos faltam
Pra acabar essa história
Apenas reviso e reconto
Cada imagem, cada paisagem
E assim os dias passam
Entre vielas e paragens
Assim torno o futuro incerto
Como certo deve ser esse destino
Não uso mais relógio ou calendário
O tempo agora é o meu mistério
Vejo o tempo passar no meu redário
Não meço mais o futuro
Apenas fotos e o balançar das redes
Não conto quantos contos faltam
Pra acabar essa história
Apenas reviso e reconto
Cada imagem, cada paisagem
E assim os dias passam
Entre vielas e paragens
Assim torno o futuro incerto
Como certo deve ser esse destino
22.7.17
Porvir
Bebê
Quase sete anos se passaramAgora já sei qual pé chutas a bola
Admiro a espontaneidade do teu sorriso
E a fortaleza do teu caráter
Sei que ninguém te dará ordens aleatórias
Baterás o pé até conquistar o bom direito
Sei que posso contar contigo
Na luta contra o prefeito
Levantando faixas pela nomeação
No grito de ordem:
Fora Presidente
Já tens o hábito de ocupar as ruas
Lutar por nossos direitos
Sabes que o presidente é um homem mau
Cercado de corruptos
Tuas perguntas políticas
Teu interesse pelos ocorridos
Revelam a dureza do cotidiano
Até a pelegagem do sindicato foi descortinada
Até o emprego que papai perdeu foi desvelado
Até a justiça desafinada foi revelada
Teu engajamento é inspiração
Nessa selva digital
Neste país que ainda está por vir
14.7.17
Sol
O sol nunca se esvai
O que há por trás do lado obscuro do Sol?
O que há por trás de nossas vidas obscuras?
O sol nunca se vai
E nossa vida passageira acasala
Tantos preconceitos
Tantos desabonos
Tantos mistérios na antesala
Eu trabalhador de sol a sol
Nunca vejo o poente
Sou um zero à direita
Nessa politica de tantos expoentes
O sol nunca se esvai
Nem a margem à esquerda
Enquanto houver sol...
10.7.17
Revolto
É proibido proibir
Domino as ondas
Num efeito dominó
Eu revolto
Subverto ordens
Encaro o mar como uma criança
Engulo o medo
Sou todo coragem
Eu revolto
Sou mais violento que a ressaca
Sou amargo, salgado
Com o desejo patente de revoltar
Mar revolto
Encaro de frente
Pois a revolta é meu caminho só de ida
Não tenho tempo para voltar
9.7.17
Domingo
Jogo pela manhã
A tarde, assistir pela tevê
E não me venha com o discurso
Do seu ministro da economia
Que eu não quero nem ver
Navegantes
O mar não está para propina
Ventos fortes
Águas turvas
Delações premiadas
Aves de rapina
Aviso aos navegantes
Descobrimos suas falcatruas
Filmamos malas, acordos espúrios
Dinheiro contado
E vamos tomar as ruas
Aviso aos navegantes
Alerta de céu enegrecido
Ressaca da maré
Navios e rádios piratas
Rompem as amarras e bradam:
Todo poder a ralé
8.7.17
reserva
Um exército bate à porta
Um exército implacável que causa temor
Milhões de compatriotas alistados
involuntariamente
Medo Fome Desemprego
O exército de reserva avança
É um fantasma na cabeça do trabalhador
É o argumento do patrão usurpador
É o chicote
o limbo
a humilhação
É o poder da contrarreforma
É o avesso da liberdade
É a pura promiscuidade
É um exército surdo mudo inodoro
É o exército do fim do mundo
Um exército implacável que causa temor
Milhões de compatriotas alistados
involuntariamente
Medo Fome Desemprego
O exército de reserva avança
É um fantasma na cabeça do trabalhador
É o argumento do patrão usurpador
É o chicote
o limbo
a humilhação
É o poder da contrarreforma
É o avesso da liberdade
É a pura promiscuidade
É um exército surdo mudo inodoro
É o exército do fim do mundo
3.7.17
A vida que tremia
Hoje pensei em Hermes
Um amigo esquálido da época de infância
Ele morava em frente a uma fábrica de tecidos
O chão tremia vinte e quatro horas
Vinte e quatro horas
Vinte e quatro horas
Vinte e quatro horas
O chão tremia
Por todo o dia
Máquinas a todo vapor
Por Deus
Aquele chão tremia as casas
Tremia Hermes e sua família
Hermes tremia
Vinte e quatro horas por dia
Sístole e diástole estavam na frequência
da tecelagem
Não havia tempo para amores
Corações tremiam
A casa quase caía, diziam os rumores
A casa de Hermes tremia
tremia o pai
tremia a mãe
tremia a tia
tremia os ossos do magrelinho
tremia o corpo famélico
tremia até o cachorro que não mais latia
Como Hermes dormia?
Dentro de uma casa que tremia
Como Hermes comia?
Dentro de uma casa que não parecia
Como Hermes aprovaria?
Dentro de uma casa onde os estudos não cabiam
Não tenho mais notícia de Hermes
Nem da casa que tremia
Nem da família que tremia
Nem do bairro que tremia
Só espero continuar a tremer de indignação
Em nome daquela barriga vazia
que tanto tremia
Um amigo esquálido da época de infância
Ele morava em frente a uma fábrica de tecidos
O chão tremia vinte e quatro horas
Vinte e quatro horas
Vinte e quatro horas
Vinte e quatro horas
O chão tremia
Por todo o dia
Máquinas a todo vapor
Por Deus
Aquele chão tremia as casas
Tremia Hermes e sua família
Hermes tremia
Vinte e quatro horas por dia
Sístole e diástole estavam na frequência
da tecelagem
Não havia tempo para amores
Corações tremiam
A casa quase caía, diziam os rumores
A casa de Hermes tremia
tremia o pai
tremia a mãe
tremia a tia
tremia os ossos do magrelinho
tremia o corpo famélico
tremia até o cachorro que não mais latia
Como Hermes dormia?
Dentro de uma casa que tremia
Como Hermes comia?
Dentro de uma casa que não parecia
Como Hermes aprovaria?
Dentro de uma casa onde os estudos não cabiam
Não tenho mais notícia de Hermes
Nem da casa que tremia
Nem da família que tremia
Nem do bairro que tremia
Só espero continuar a tremer de indignação
Em nome daquela barriga vazia
que tanto tremia
12.6.17
Mesclado
Como barriga seca não dá sono
Lembrei do sabor do iogurte
Do sorvete mesclado
Pensei nos alunos da escola pública
Café preto e pão seco
Qual o sabor do iogurte para o cego paladar?
Como será imaginar o sabor de morango
Mesclado com iogurte batido?
Qual o sabor do vazio?
Café preto e pão seco
Que sabor tem?
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Preto, pobre, seco
Qual o sabor da desigualdade?
Pobre café preto seco
Rico morango batido
Sabor: desigualdade mesclada
Lembrei do sabor do iogurte
Do sorvete mesclado
Pensei nos alunos da escola pública
Café preto e pão seco
Qual o sabor do iogurte para o cego paladar?
Como será imaginar o sabor de morango
Mesclado com iogurte batido?
Qual o sabor do vazio?
Café preto e pão seco
Que sabor tem?
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Preto, pobre, seco
Qual o sabor da desigualdade?
Pobre café preto seco
Rico morango batido
Sabor: desigualdade mesclada
5.6.17
Confabular (ou um manifesto Parahyba)
Em tempos em que revoluções
Se transformam em festas corriqueiras
Nossa busca pela formação
Em terra de mar de beiras
São armas de luta
Só nos resta confabular
Ir além mar
Conquistar os mundos
Pedir a cabeça de tantos imundos
Vamos confabular em todos os tempos
E espaços
Não vamos deixar nosso Centro morrer
Pois seremos o centro do nosso universo
Sem medo das balas nos nossos peitos de aço
Eu tu ele
Nós vós eles
Vamos confabular
Derrubar o ressurgimento do abacateiro
Não acataremos outros atos
Eu tu ele
Nós vós eles
Vamos confabular
Junho é uma criança
Que vai derrubar reis
Se transformam em festas corriqueiras
Nossa busca pela formação
Em terra de mar de beiras
São armas de luta
Só nos resta confabular
Ir além mar
Conquistar os mundos
Pedir a cabeça de tantos imundos
Vamos confabular em todos os tempos
E espaços
Não vamos deixar nosso Centro morrer
Pois seremos o centro do nosso universo
Sem medo das balas nos nossos peitos de aço
Eu tu ele
Nós vós eles
Vamos confabular
Derrubar o ressurgimento do abacateiro
Não acataremos outros atos
Eu tu ele
Nós vós eles
Vamos confabular
Junho é uma criança
Que vai derrubar reis
12.5.17
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